Curitiba assume vocação tecnológica

maio 18 • Economia • 1636 Visualizações • Nenhum comentário em Curitiba assume vocação tecnológica

Antes lembrada como a capital do planejamento e da mobilidade urbana, Curitiba está vendo uma nova vocação ganhar espaço e servir de referência para empresários locais e mesmo de fora do país. Em somente cinco anos, o número de empresas de Tecnologia da Informação (TI) dobrou na cidade, impulsionando o mercado de desenvolvimento de softwares e aplicativos e empregando um contingente de quase 9 mil pessoas – isto, se for considerado somente o número de trabalhadores formais contabilizados pelo Ministério do Trabalho.

 

 

 

Segundo dados do Dieese com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do ministério, em 2012, último ano com números consolidados, 560 empresas atuavam no setor na capital – em 2007, eram 296. A grande maioria (75%) são negócios de pequeno porte, como startups e microempresas, que empregam até 20 funcionários. Por outro lado, a maior parcela dos empregados atua em gigantes das áreas de telecomunicação, sistema financeiro e gestão corporativa, que na década passada implantaram centros de produção de tecnologia em Curitiba ou simplesmente nasceram aqui – grupo formado por players como HSBC, Totvs, Wipro, GVT e ExxonMobil.

A vinda destas empresas criou um ciclo que estimula novos negócios até hoje. Em 2006, por exemplo, o grupo israelense The Wave Group implantou um braço em Curitiba somente para atender a um projeto da GVT – atualmente, a eWave do Brasil atua para mais de 100 empresas e emprega 200 pessoas. No mesmo ano, o HSBC anunciou a implantação de seu terceiro Centro de Tecnologia Global (GLT, da sigla em inglês) em Curitiba, com a meta de contratar 2 mil funcionários. No fim do ano passado, a Totvs investiu R$ 19 milhões na compra de parte das ações da curitibana Ciashop, que atua no desenvolvimento de plataformas de e-commerce.

“Enxergamos a região de Curitiba não somente como um mercado que busca inovação, mas que está sempre antenado às novas tecnologias, inclusive aquelas empresas que não fazem parte desse ecossistema. Sem dúvida, Curitiba já tem um papel nacional como referência nessa área”, afirma o diretor-executivo da unidade Totvs Curitiba, Claudinei Benzi.

Aquecimento

O boom no número de empresas aqueceu o mercado de trabalho. De janeiro de 2013 a março deste ano, Curitiba contabilizou um saldo positivo de 970 admissões de profissionais na área de TI (veja infográfico). Atuando em Curitiba há cerca de três anos, a empresa de TI Resource, que emprega 180 pessoas em sua unidade na capital, tem dificuldade para encontrar mão de obra qualificada por causa da disputa com outras prestadoras de serviço – não é raro desenvolvedores terem de sair da matriz em São Paulo para passar temporadas em solo curitibano.

“Com o crescimento do mercado em Curitiba, a demanda por estes profissionais está sendo maior do que a formação. Temos tido inclusive um aumento nos custos em função dessa escassez de mão de obra”, relata o vice-presidente da Resource IT Solutions, Solemar Andrade.
“Startupeiros” abandonam empregos para se aventurar no mercado de TI

Com idades entre 26 e 30 anos, desenvoltura em frente às câmeras e visual descolado, os cinco amigos poderiam facilmente se passar por integrantes de alguma banda de rock. No entanto, em vez da cena musical, eles representam outro grupo que caiu no gosto dos jovens de Curitiba: o dos “startupeiros”, empreendedores digitais que têm trocado os empregos em empresas tradicionais para investir no próprio negócio.

É o caso dos rapazes do Vitrina, que se conheceram em um programa de trainne da Positivo Informática. Em 2011, três dos cinco desenvolvedores largaram os empregos para se dedicar à startup. Um dos primeiros projetos, uma espécie de rede social, morreu na praia. Em 2013, após muita pesquisa no mercado e um empurrãozinho de um investidor-anjo, surgiu o app que leva o nome do grupo, um marketplace social de moda que funciona tanto como rede social quanto como repositório de lojas, onde é possível comprar e vender roupas e acessórios.

O app deu certo e gerou até canal de vídeos no YouTube, onde os cinco amigos – Saulo Marti, Marcelo Reis, Dalmo Picharki, Ricardo Pedroni e Antônio Sanseverino – aparecem enfrentando “desafios” do universo feminino, como andar de salto alto e encarar banheiros pouco higiênicos de bares da cidade. Em março deste ano, foi lançada a nova empreitada do grupo, a plataforma VitrinaPRO. Por meio da ferramenta, lojistas e usuários físicos podem criar suas próprias lojas on-line e apps para Android e iOS, sem complicação.

“A nossa grande missão sempre foi democratizar o comércio digital, para que qualquer um possa vender, seja um designer independente, uma loja maior querendo expandir seus negócios ou um usuário comum. O e-commerce tem tudo para crescer, precisa apenas de uma plataforma para facilitar isso”, afirma o co-fundador e CEO da Vitrina, Saulo Marti.

Alta procura

Somente no primeiro mês, que ainda funcionou de forma gratuita, como um período de testes, foram feitos mais de mil cadastros na plataforma. O usuário paga mensalidades para manter o app e a loja on-line no ar, que variam de R$ 79 a R$ 99. “Ter uma startup no Brasil é trabalhar no modo hard. Mas, de forma geral, o Brasil está melhorando neste sentido. E Curitiba é uma das cidades onde está crescendo esse hub de empreendedores e startups”, avalia Marti.

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