Número de livrarias e papelarias no Brasil encolhe 29% em 10 anos

dez 9 • Destaque, Economia, Todas as Notícias • 123 Visualizações • Nenhum comentário em Número de livrarias e papelarias no Brasil encolhe 29% em 10 anos

Com as redes de livraria Saraiva e Cultura em processo de recuperação judicial, o setor livreiro vive em 2018 a sua maior crise, com fechamento de lojas, demissões em massa e calote de milhões nas editoras. Mas as dificuldades surgiram anos antes, sobretudo para as micro e pequenas empresas do setor.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a partir de dados do Ministério do Trabalho, mostra que o número de livrarias e papelarias em funcionamento no Brasil encolheu 29% em 10 anos. No final de 2017, eram 52.572 estabelecimentos – 21.083 a menos do que o país reunia em 2007.

Das mais de 21 mil lojas que fecharam as portas em 10 anos, metade delas encerraram as atividades de 2013 para cá. Somente em 5 anos, o número de papelarias e livrarias encolheu 22%. Veja gráfico abaixo:

Número de livrarias e papelarias no Brasil
Em milhares
73,773,773,973,973,873,872,472,471,171,167,567,5666663,163,160,360,356,256,252,652,620072008200920102011201220132014201520162017020406080

2011
71,1
Fonte: CNC

Os estados com maior número de fechamento de livrarias e papelarias entre 2007 e 2017 foram São Paulo (-8.764), Rio Grande do Sul (-2.449), Minas Gerais (-2.251), Paraná (-1.659) e Rio de Janeiro (-971). Só no Amazonas o número de estabelecimentos cresceu no período: 62 lojas a mais, elevando para 561 o número de empresas do gênero no estado.

O levantamento da CNC foi feito com base nos números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e considera todos os estabelecimentos comerciais cadastrados como especializados na venda de livros, jornais, revistas e papelaria.

Os números consolidados da Rais de 2018 só serão divulgados em meados do ano que vem. Mas somente a Saraiva e Fnac encerraram neste ano no país mais de 30 lojas.

Novos hábitos e modelo de gestão

Para o economista da CNC Fabio Bentes, trata-se de uma crise estrutural diretamente relacionada aos novos hábitos de consumo de livros, jornais e revistas, impulsionados pelo avanço tecnológico e do comércio eletrônico.

“Hoje, até mesmo quem vende o livro físico utiliza plataforma online. Então, além de toda a crise que atingiu a economia brasileira, o estabelecimento tradicional passa por uma crise estrutural, que aliás não é só no Brasil – vide o exemplo da Amazon engolindo setores de toda a economia nos Estados Unidos”, afirma.

A presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre), Raquel Menezes, defende que a crise que abateu as grandes livrarias não se restringe à venda de livros. No 1º semestre, meses antes dos pedidos de recuperação das grandes livrarias, o setor livreiro mostrou uma ligeira recuperação, com um faturamento 10% maior, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

Número de exemplares de livros vendidos no Brasil

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