PIB revela que país não conseguiu avançar fora do campo

fev 27 • Economia • 1523 Visualizações • Nenhum comentário em PIB revela que país não conseguiu avançar fora do campo

Surpresa só serve quando é boa. O PIB dos últimos três meses de 2013 foi uma boa surpresa. Segundo IBGE, a economia cresceu 0,7% no período. Tinha gente esperando até um número negativo ou algo pouco acima de zero. Se assim viesse o PIB do período, o país entraria em recessão técnica, porque já tivemos resultado negativo no trimestre anterior. Em todo ano, o PIB subiu 2,3% – colado nas previsões.

A composição do resultado, contudo, revela que o país cresceu porque a agropecuária sobressaiu, com 7% de alta em 2013. Mas o setor responde por 5% de tudo que o país produz. A indústria, que tem peso de 26%, aproximadamente, cresceu apenas 1,3%. Os serviços, que têm o peso mais relevante na economia, com quase 70% do PIB, avançaram módicos 2%.

Para facilitar a comparação e entender o papel do setor agrícola no PIB deste ano, os resultados de 2012 foram: serviços com alta de 1,7%, a indústria caiu 0,8% e a agropecuária, subiu 2,3%.

O Brasil ainda é o celeiro do mundo mas não conseguiu avançar fora do campo. A indústria, que emprega e adiciona muito mais valor aos produtos, está praticamente estagnada nos últimos anos, entre poucas altas e muitas baixas. Os serviços tiveram até um desempenho melhor do que em 2012, mas sem fôlego necessário para melhorar a distribuição das riquezas produzidas no Brasil. Até porque, como o próprio nome diz, o valor dos serviços está no custo do trabalho, não de alguma mercadoria.

Para sair dessa dinâmica não há outra alternativa senão investir. Até para ver se repetimos o bom desempenho da agropecuária. O tema em debate sobre o setor atualmente é a dificuldade de escoamento da produção. Sem avanços na infraestrutura e recuperação da competitividade da indústria, vai ficar difícil ir mais longe.

O chato é saber que as condições econômicas e financeiras de 2014 estão mais difíceis do que um ano atrás. Em 2013, começamos com juros a 7,25% ao ano. Agora, eles estão em 10,75%. A inflação não conseguiu descolar dos 6%, o que encarece o consumo e diminui a demanda – receita amarga para o PIB.

Surpresa boa mesmo é surpresa que nasce boa e continua boa. O crescimento da economia no final do ano passado realmente surpreendeu. A dúvida que fica é se a fórmula do sucesso do último trimestre de 2013 terá eficiência suficiente para manter o ritmo de recuperação.

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