Tuberculose: os desafios do tratamento contínuo

set 8 • Saúde, Todas as Notícias • 111 Visualizações • Nenhum comentário em Tuberculose: os desafios do tratamento contínuo

De cada 10 pessoas que iniciam o tratamento, pelo menos uma abandona os medicamentos. A interrupção traz complicações que podem levar a óbito

Em 2009, o aposentado Ronaldo Gonçalves Ferreira sentia fortes dores na coluna e procurou atendimento médico para investigar a causa. Depois de vários exames e falsos diagnósticos, ele começou o tratamento contra a tuberculose óssea, por indicação médica.

“Eu cheguei a ficar sem andar, fiquei em cadeiras de roda, perdi o movimento da perna esquerda, doía muito e tinha dificuldade grande de locomoção. Os médicos pensavam ser uma hérnia, até que o neurologista pediu um exame específico. E em 20 dias depois de iniciar o tratamento contra a tuberculose, eu já tive uma melhora bem considerável”, lembra.

Ronaldo enfrentou o que, para o Ministério da Saúde, ainda é um problema preocupante de saúde pública. A tuberculose acomete principalmente os pulmões, mas pode afetar outros órgãos, como foi o caso do Ronaldo. Ela é transmitida a partir do espirro, da tosse ou da fala de uma pessoa que esteja com a tuberculose pulmonar. Somente a forma pulmonar é contagiosa.

Após inalar o bacilo da tuberculose, ele pode ficar alojado no corpo durante vários anos e se manifestar quando há um comprometimento do sistema imunológico. As situações mais comuns são: infecção pelo HIV, diabetes e uso prolongado de corticosteroides.

A coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, explica que é complexo o controle da tuberculose. “Eu posso inalar o bacilo, o sistema de defesa do corpo faz ele dormir por muitos anos e quando o sistema imunológico se deprime, por conta do envelhecimento ou de outra doença, o bacilo da tuberculose se desperta. Então, por isso é difícil acabar com essa doença na história da humanidade. Por isso ela é de difícil controle”, explica.

Mais sobre a tuberculose
A tuberculose pulmonar é a mais comum em todo o mundo. Entre os sintomas, o principal é a tosse persistente, com ou sem catarro. Mas, é preciso reparar no emagrecimento sem causa aparente, na febre baixa no final do dia e no suor excessivo durante a noite. Também pode haver cansaço intenso e a falta de vontade para atividades cotidianas. “Apesar da forma mais comum ser a pulmonar, outros órgãos podem ser afetados pela doença. Os sintomas variam de acordo com o órgão acometido”, esclarece Arakaki.

tuberculose GettyImagesDiagnóstico e tratamento da tuberculose
No Brasil, tanto o diagnóstico quanto o tratamento da tuberculose estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos para tratar a doença não podem ser encontrados à venda, em farmácias. “O tratamento das formas sensíveis da tuberculose dura no mínimo seis meses, com medicação diária. E o das formas resistentes é feito em unidades de referência, e duram de 18 a 24 meses. Tuberculose tem cura, mas o tratamento deve ser feito até o final”, ressalta a coordenara.

A vacina BCG, prevista no Calendário Nacional de Vacinação e aplicada em crianças ao nascer (ou até os 4 anos, se nunca tiver sido vacinada), previne as formas graves da doença. “Além da vacina BCG, outra forma de prevenir o adoecimento é avaliar as pessoas que tiveram contato com pessoas com tuberculose pulmonar. Os contatos que foram infectadas pelo bacilo podem receber medicamento para prevenir a evolução para doença. Pessoas vivendo com HIV devem ser avaliadas anualmente para ver se estão infectadas pelo bacilo da tuberculose e também devem receber o medicamento para prevenção”, explica a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose.

Em geral, após 15 dias de tratamento, as pessoas infectadas já não transmitem mais a doença.

Novo enfrentamento
No caso de Ronaldo, infelizmente, em 2017, a doença voltou. Ao sentir dores, ele novamente buscou atendimento médico e foi comprovado o novo diagnóstico da doença. O tratamento foi retomado com medicamentos e agora ele foi considerado curado. “Hoje eu sinto dor, porque ficam sequelas. Mas é algo suportável. Eu consigo pegar um carro, consigo sair, consigo fazer uma caminhada. Já no auge da tuberculose, eu não conseguia fazer nada, passava o dia inteiro deitado, com dor, ânsia de vômito, náuseas e perdi peso. É horrível”, destaca.

O aposentado ainda sente medo do retorno da doença e, além das consultas periódicas ao médico, busca viver uma vida saudável, como a prática de exercícios físicos para o fortalecimento corporal e cuidados diários simples. “Medicamento para este caso específico eu não tomo mais. Me sinto bem, porque não foi preciso chegar ao ponto de eu ficar sentado, sendo movimentado por alguém”, desabafa.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, lembrado sempre no dia 24 de março, é “uma ocasião de mobilização mundial, nacional, estadual e local buscando envolver todos às esferas de governo e setores da sociedade civil na luta contra esta enfermidade”, define a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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