Polícia do DF identifica suspeito de criar falsa lista de prostituição

set 9 • Geral • 1886 Visualizações • Nenhum comentário em Polícia do DF identifica suspeito de criar falsa lista de prostituição

A Polícia Civil do Distrito Federal identificou o suspeito de ter criado uma lista falsa que circula pela web com nomes e telefones de 310 mulheres apontadas falsamente como garotas de programa. De acordo com a corporação, o homem mora em São Paulo e vai ser intimado a depor. A entidade não deu detalhes de como chegou a ele.

Até esta terça, três das oito moradoras de Brasília incluídas no documento já haviam registrado boletim de ocorrência. Os casos são investigados pela Delegacia da Mulher, 21ª DP e 23ª DP.

A lista circula também pelo Facebook e traz telefones de 12 unidades da federação, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão, São Paulo e Distrito Federal.

Para parte das citadas na lista, divulgada por meio do aplicativo WhatsApp e do Facebook, há ainda descrição da aparência física e o suposto preço cobrado pelo programa. As observações dizem ainda que todos têm o app no celular e que mandam fotos.

 

Uma estudante de jornalismo de 19 anos afirmou que recebeu 400 mensagens no WhatsApp durante a madrugada da última quinta-feira (4). Ela foi a segunda vítima a registrar boletim de ocorrência no Distrito Federal.

De acordo com a garota, foram 50 mensagens por hora – quase uma por minuto. Entre as mensagens recebidas pela menina estava a de um homem que disse ser casado. Ele perguntava o preço do programa para o final de semana, pedia fotos e contava que queria a companhia de duas pessoas, já que a mulher estaria viajando.

“Fiz a denúncia na Delegacia da Mulher. O investigador me disse que já havia ouvido outros 15 relatos semelhantes”, conta a jovem. “É desagradável, porque meu celular trava a toda hora, é o dia inteiro assim. Toda hora ligam, fico até com medo de atender. Acho que as pessoas não têm nenhuma noção do efeito dos próprios atos. Eu levo na esportiva, porque, se for na emoção, não vale a pena. A gente se esforça, estuda, trabalha, rala e tem gente que vem e faz um negócio desses.”

Antes de registrar a ocorrência, a estudante de jornalismo tentou contato com as outras moradoras do DF para descobrir o que tinham em comum. Segundo ela, nenhuma das meninas tem noção de quem pode ter divulgado os celulares.

“Mesmo com tudo isso, estou tranquilíssima. Não vou me deixar abalar. Trabalho para não ter raiva de ninguém, nem de quem fez ou de quem vem falar comigo. Apesar das conversas até indecentes, eles não têm totalmente culpa, porque elas não sabem que não é verdade, que é uma lista falsa”, explica a garota.

 

A menina afirmou que tem o número há oito anos e que não pretende trocá-lo. A expectativa, diz, é que a polícia consiga solucionar o caso.

“Agora meu número já rodou, então como tirar essa perturbação da minha cabeça? Mesmo que a polícia prenda as pessoas que republicaram, a gente não sabe até onde chegou essa lista. As pessoas não pensam nessas coisas. Mas eu espero que punam alguém, para que aprendam que isso não se faz. Já imaginou se eu ganhasse por ligação? Ia estar rica a uma horas dessas”, brincou.

Outros casos
Quatro garotas relataram dificuldades para denunciar o caso e disseram que chegaram a ser desestimuladas pelos delegados a fazer o registro, “porque seria difícil investigar”. Ao G1, a corporação negou que haja orientação para que as vítimas sejam desestimuladas a denunciar.

 

“Ao contrário, a Polícia Civil do Distrito Federal solicita que todas as pessoas que se sentirem constrangidas se dirijam à delegacia mais próxima ou à Delegacia da Mulher e registrem o fato”, afirmou a entidade em nota.

A corporação disse ainda que a orientação é que as mulheres incluídas na lista não deletem as mensagens recebidas e, se possível, as imprimam para que sejam anexadas na ocorrência. Não há prazo para o fim da apuração.

Preferindo não se identificar, uma estudante de direito de 21 anos diz que tem vivido um “inferno” desde a noite da última quarta-feira, quando recebeu as primeiras mensagens por WhatsApp. Ela conta que a princípio não entendeu o que estava acontecendo e que um dos rapazes acabou explicando a situação.

“Primeiro eu achei que fosse engano, não fazia sentido. Depois, quando ele me mandou a lista, comecei a responder falando que colocaram meu nome aleatoriamente, que eu não tinha nada com isso. Só que foi pior, porque parece que atiçava mais. Só quando troquei minha foto para de homem e comecei a responder mandando foto de pinto é que pararam. Pediam desculpa e sumiam”, explica.

G1 acompanhou a jovem à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) nesta sexta. Nos 20 minutos entre o atendimento dela no balcão e a conversa com o delegado foram 59 mensagens e três ligações. No conteúdo, questionamentos como “você é acompanhante?” e “manda foto?”. Chorando bastante, a estudante afirmou que não tem ideia de como a incluíram na lista.

“Você fica assim [de um jeito] que você não consegue fazer nada da sua vida. Você fica triste, angustiada. Não consegui contar para ninguém. É horrível você ter que perder o dia, vir à delegacia e ficar o dia inteiro aqui. É uma sensação meio que de impotência. É um desaforo de ter que fazer tudo isso por causa de um retardado que quis fazer graça”, declarou.

Especialista em crimes de internet, o advogado Jair Jaloreto afirmou que tanto quem divulga a informação quanto quem a replica podem ser punidos. “Com a popularização das redes sociais, os crimes contra a honra aumentaram substancialmente. E quem replica a ofensa passa a ser autor também. As pessoas identificadas que a repassam para os seu amigos também estão cometendo um delito.”

Jaloreto disse ainda que é falsa a ideia de que o fato de o crime ocorrer em um ambiente virtual impede a investigação. A diferença está no alcance da mensagem, já que na web ela se espalha com maior facilidade.

“Dificulta [a investigação] porque você tem um passo a mais para fazer, mas não inviabiliza. Mediante uma ordem judicial, as companhias de telefonia e de internet não obrigadas a fornecer o endereço e a titularidade de onde partiram as mensagens”, explica.

De acordo com o artigo 139 do Código Penal, difamar alguém, atribuindo-lhe um fato ofensivo à reputação, tem pena de 3 meses a 1 ano de cadeia, além de multa. A Polícia Federal informou que a investigação fica a cargo das policias civis de cada estado, e que uma delas pode centralizar as apurações, se os delegados acharem conveniente.

 

 

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